Para evitar que este blog caia, vou fazer um esforço e tentar postar todos os dias. Nem que seja qualquer coisa, um suspiro basta. Tenho algumas tardes livres, em que tenho mais que tempo para escrever qualquer coisa e fá-lo-ei.
A partir de amanhã.
terça-feira, 3 de novembro de 2009
terça-feira, 30 de junho de 2009
Pelas ruas soturnas
Pelas ruas soturnas da vivência humana, pelos rios estendidos mar adentro, pelas montanhas ingremes cujo cume se perde no horizonte de nós mesmos, pela estrada perdida em aldeia nenhuma, pelo barco sem rumo que se perde à deriva dos nossos sonhos, pelo caminho daqueles que sofrem, que aguentam todos os dias o que nós aguentamos em tempo algum, pelos que morrem por esquecimento de quem vive, pelas paixões sem dono, pelas viúvas, pelos ladrões, por todos nós.
Quando escrevo, penso em tudo isto e dói-me o coração só de pensar. A cabeça é que devia doer, mas sei lá pensar com a cabeça, do lado esquerdo do meu peito é que brota o meu sofrimento.
Já ultrapassei obstáculos inexistentes, já me cansei antes de começar a correr, já me faltou o ar antes de deixar de respirar, já criei mundos paralelos sem que eles se tenham apercebido, já gritei bem alto e nem uma palavra
Quando escrevo, penso em tudo isto e dói-me o coração só de pensar. A cabeça é que devia doer, mas sei lá pensar com a cabeça, do lado esquerdo do meu peito é que brota o meu sofrimento.
Já ultrapassei obstáculos inexistentes, já me cansei antes de começar a correr, já me faltou o ar antes de deixar de respirar, já criei mundos paralelos sem que eles se tenham apercebido, já gritei bem alto e nem uma palavra
domingo, 12 de outubro de 2008
Solidão II
Que vida é esta?
Que fuga permanente
Que desejo ofegante
Que intensidade majestosa
Que sentido há, que vida
É apenas um sentido desconhecido
Um sopro estendido e o coração
E as estrelas e as dimensões
Que deus é este?
Que nos deixa sozinho
Que nos abre ilusões
Que caia a esperança
Que finde o sentimento
Que cesse a certeza
Que me deixem sozinho comigo
Porque eu falo sozinho
Eu vivo sozinho
Eu escrevo sozinho!
E tremo de solidão
Com toda esta gente que me rodeia
Que fuga permanente
Que desejo ofegante
Que intensidade majestosa
Que sentido há, que vida
É apenas um sentido desconhecido
Um sopro estendido e o coração
E as estrelas e as dimensões
Que deus é este?
Que nos deixa sozinho
Que nos abre ilusões
Que caia a esperança
Que finde o sentimento
Que cesse a certeza
Que me deixem sozinho comigo
Porque eu falo sozinho
Eu vivo sozinho
Eu escrevo sozinho!
E tremo de solidão
Com toda esta gente que me rodeia
domingo, 5 de outubro de 2008
Saudade
Arde incessante o meu coração
De tão cheio de solidão
Arde com fogo sem chama
No interior da multidão
Sem ninguém notar e eu imerso
Apago-me do universo
Ficam cinzas, espalha-se o fumo
Com vento de um só rumo
E quando chegar o fim
Alguém se irá lembrar de mim?
Ou tudo esquecido
Que fui tudo sem ter sido
Da luz brota escuridão
De saber que tudo em vão
Para quê esta luta
Se ninguém me pede perdão?
Sem pompa nem formalidade
Caiu em saudade.
De tão cheio de solidão
Arde com fogo sem chama
No interior da multidão
Sem ninguém notar e eu imerso
Apago-me do universo
Ficam cinzas, espalha-se o fumo
Com vento de um só rumo
E quando chegar o fim
Alguém se irá lembrar de mim?
Ou tudo esquecido
Que fui tudo sem ter sido
Da luz brota escuridão
De saber que tudo em vão
Para quê esta luta
Se ninguém me pede perdão?
Sem pompa nem formalidade
Caiu em saudade.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
O Novelo
São recordações que me comovem
Como fios torcidos d’um novelo que se descosem
São lágrimas que deslizam
Com lembranças desgarradas que avisam
Quão solta anda esta mente jovem
Inúteis e supérfluas não serão de certeza
Colocadas por ordem de tristeza
As histórias passadas e vividas
Que deixaram marcas e dívidas
Num corpo imbuído em firmeza
Depois a vida vai passando
Mas as feridas vão ficando
Como cortes de navalha
Numa turbulenta e fatal batalha
Quanta melancolia tem o meu sorriso?
Ao tratar o passado que friso?
O novelo entorna-se e rebola quieto
E fico sem resposta a olhar o tecto
Como fios torcidos d’um novelo que se descosem
São lágrimas que deslizam
Com lembranças desgarradas que avisam
Quão solta anda esta mente jovem
Inúteis e supérfluas não serão de certeza
Colocadas por ordem de tristeza
As histórias passadas e vividas
Que deixaram marcas e dívidas
Num corpo imbuído em firmeza
Depois a vida vai passando
Mas as feridas vão ficando
Como cortes de navalha
Numa turbulenta e fatal batalha
Quanta melancolia tem o meu sorriso?
Ao tratar o passado que friso?
O novelo entorna-se e rebola quieto
E fico sem resposta a olhar o tecto
sábado, 27 de setembro de 2008
Q.C.A.C
Quando chegar aos cinquenta
Vou ter uma televisão
Que deixe de mostrar corrupção
Quando chegar aos cinquenta
Não vou ficar à espera
Da minha morte lenta
Quando chegar aos cinquenta
Vou-me desmontar
Nem uma peça irá sobrar
Quando chegar aos cinquenta
A minha alma vai engrandecer
Dos livros que não vou ler
Da saúde que não vou ter
E dos beijos que não vou receber
Quando chegar aos cinquenta
Vou andar mais devagar
Para te ficar a observar
O meu corpo vai ficar
Impávido e sereno a murmurar
Quando chegar aos cinquenta
O meu coração vai arder
E quando deixar de bater
Vou deixar de te entreter
E ficarás sozinha a entristecer
Vou ter uma televisão
Que deixe de mostrar corrupção
Quando chegar aos cinquenta
Não vou ficar à espera
Da minha morte lenta
Quando chegar aos cinquenta
Vou-me desmontar
Nem uma peça irá sobrar
Quando chegar aos cinquenta
A minha alma vai engrandecer
Dos livros que não vou ler
Da saúde que não vou ter
E dos beijos que não vou receber
Quando chegar aos cinquenta
Vou andar mais devagar
Para te ficar a observar
O meu corpo vai ficar
Impávido e sereno a murmurar
Quando chegar aos cinquenta
O meu coração vai arder
E quando deixar de bater
Vou deixar de te entreter
E ficarás sozinha a entristecer
quinta-feira, 25 de setembro de 2008
Quem Fez De Nós?
Quem fez de nós?
Quem criou tudo?
Quem deu e nada recebeu?
Quem fez levantar e permaneceu sentado?
Quem abriu os nosso olhos?
Quem iluminou e pintou?
Quem escreveu tudo sem ter escrito?
Quem manipulou o universo?
Quem começou a remar?
Quem construiu a canoa?
Quem fez de nós?
O outro quieto e eu a olhar
O único que via e resolvi não contar
Podia ser ilusão e não quis acreditar
Da vida até a morte um longo caminho
Por isso vou sozinho
Se me faltarem os pés, vou de joelhos
O que interessa é ir para não voltar
Cair torto e nu como viemos ao mundo
A cantar alto para ninguém escutar
Aquilo que vi ainda há pouco.
Ponto final nisto.
Parágrafo para começar
E eu ainda sem acreditar
Que foste tu que nos fizeste
Pergunta: Gostaste do que trouxeste?
Ninguém responde, porque tudo mudo
E eu não me calo, porque escrevo, agora em prosa porque de versos estou farto. Limita-me o espaço e eu preciso de espaço infinito, não mudo de linha sigo sempre em frente, nem olho para trás senão perigo de tombar e depois quem me ajuda?
Sou o único que fala, mas não me importo. Valho por muitos. Como disse ALA “Todos nós somos muitos” e eu acreditei. Todos nós somos muitos. Todos nós somos poucos para retribuir a quem nos criou. Por enquanto fico por aqui, porque se me adianto demais acaba-se o espaço e eu preciso dele infinito e eterno.
Quem criou tudo?
Quem deu e nada recebeu?
Quem fez levantar e permaneceu sentado?
Quem abriu os nosso olhos?
Quem iluminou e pintou?
Quem escreveu tudo sem ter escrito?
Quem manipulou o universo?
Quem começou a remar?
Quem construiu a canoa?
Quem fez de nós?
O outro quieto e eu a olhar
O único que via e resolvi não contar
Podia ser ilusão e não quis acreditar
Da vida até a morte um longo caminho
Por isso vou sozinho
Se me faltarem os pés, vou de joelhos
O que interessa é ir para não voltar
Cair torto e nu como viemos ao mundo
A cantar alto para ninguém escutar
Aquilo que vi ainda há pouco.
Ponto final nisto.
Parágrafo para começar
E eu ainda sem acreditar
Que foste tu que nos fizeste
Pergunta: Gostaste do que trouxeste?
Ninguém responde, porque tudo mudo
E eu não me calo, porque escrevo, agora em prosa porque de versos estou farto. Limita-me o espaço e eu preciso de espaço infinito, não mudo de linha sigo sempre em frente, nem olho para trás senão perigo de tombar e depois quem me ajuda?
Sou o único que fala, mas não me importo. Valho por muitos. Como disse ALA “Todos nós somos muitos” e eu acreditei. Todos nós somos muitos. Todos nós somos poucos para retribuir a quem nos criou. Por enquanto fico por aqui, porque se me adianto demais acaba-se o espaço e eu preciso dele infinito e eterno.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Às Vezes Nem Quero
Eu ontem caí e esqueci-me de levantar. Ainda hoje continuo caído precisamente no mesmo sítio. Nem um passo para trás nem um para diante. Nada. Queria ficar ali a espreguiçar-me e a sentir-me vivo. Por acaso é das coisas que menos tenho sentido, vida. Às vezes apetece-me fechar os olhos e quando os abrir ser amanhã ou outro dia qualquer, este é que não. Às vezes apetece-me viver o amanhã, começar de novo a partir do futuro. Reviver momentos que me empurraram para ser quem sou. O problema crucial é que para além de não ter um claro ponto de vista (nem claro nem escuro) sobre quem sou, não sei se fui vagueando em vez de aos tropeções. Não fui empurrado de certeza, vagueei até encontrar um caminho cheio de ambiguidades.
Às vezes, quase sempre, não quero atender o telefone. Quero que ele se aborreça a tocar para os ares, a ficar mudo de repente como se finalmente percebesse que ninguém o quer atender. Mas rezo para que depois não comece a lacrimejar. Mais barulho portanto e eu enraivecido, deixo escapar a mão e atendo. Um blá blá blá do outro lado que não entendo e sinceramente nem quero entender. Atendi sem querer. Olhei para o espelho meio de lado, como se olhasse para outra pessoa. Desliguei prontamente com monossílabos incompreensíveis para mim, mas que decerto compreendidos do outro lado, porque desligaram sem mais demoras. Desliguei-o da ficha, queria ver se um blá blá blá sem intenção voltaria a incomodar-me. Na realidade passaram-se segundos, minutos, horas sem que aquele horroroso toque impertinente e inadequado voltasse a transformar o silêncio tão natural, num ruído ensurdecedor.
Às vezes, quando somos crianças, temos sonhos praticamente inalcançáveis (mas não impossíveis) que gostaríamos certamente que fossem bem sucedidos. Esquecemos no entanto, por ignorância óbvia da falta de maturidade, do esforço que é necessário despender para o conseguir alcançar. Finalmente, numa fase mais avançada da nossa vida, acabamos por compreender as montanhas de trabalho que são necessárias. Como consequência directa, entristecemos ao som de qualquer música que diga precisamente o contrário. Depois modificamos rapidamente o patamar do nosso sonho e colocamo-lo um pouco mais abaixo na escala da possibilidade. De um momento para o outro, tudo parece fácil e a decisão está tomada. Amanhã será o primeiro dia na busca incessante por esse sonho.
Às vezes, quase sempre, não quero atender o telefone. Quero que ele se aborreça a tocar para os ares, a ficar mudo de repente como se finalmente percebesse que ninguém o quer atender. Mas rezo para que depois não comece a lacrimejar. Mais barulho portanto e eu enraivecido, deixo escapar a mão e atendo. Um blá blá blá do outro lado que não entendo e sinceramente nem quero entender. Atendi sem querer. Olhei para o espelho meio de lado, como se olhasse para outra pessoa. Desliguei prontamente com monossílabos incompreensíveis para mim, mas que decerto compreendidos do outro lado, porque desligaram sem mais demoras. Desliguei-o da ficha, queria ver se um blá blá blá sem intenção voltaria a incomodar-me. Na realidade passaram-se segundos, minutos, horas sem que aquele horroroso toque impertinente e inadequado voltasse a transformar o silêncio tão natural, num ruído ensurdecedor.
Às vezes, quando somos crianças, temos sonhos praticamente inalcançáveis (mas não impossíveis) que gostaríamos certamente que fossem bem sucedidos. Esquecemos no entanto, por ignorância óbvia da falta de maturidade, do esforço que é necessário despender para o conseguir alcançar. Finalmente, numa fase mais avançada da nossa vida, acabamos por compreender as montanhas de trabalho que são necessárias. Como consequência directa, entristecemos ao som de qualquer música que diga precisamente o contrário. Depois modificamos rapidamente o patamar do nosso sonho e colocamo-lo um pouco mais abaixo na escala da possibilidade. De um momento para o outro, tudo parece fácil e a decisão está tomada. Amanhã será o primeiro dia na busca incessante por esse sonho.
Eu pelo menos tenho todo o tempo do mundo.
sexta-feira, 20 de junho de 2008
Fecho os olhos
Fecho os olhos. Dou por mim num mundo criado naquele preciso momento (quantos mundos são criados sem darmos por isso?), parecem luzes que se acendem e apagam num remoinho intenso. A única forma de ver o que a cegueira permite. E a cegueira permite ver tantas coisas. Há quem fique mudo e cego e continue a ver tanto como todos nós, a diferença senhores, é que quem escolhe ver, vê mas não observa e quem não vê, às tantas observa atentamente.
Um dia destes hei-de fechar os olhos durante o resto da minha vida, hei-de andar a tropeçar no meu próprio pé, convencido de que não é meu, é de alguém, alguém que passou e eu não quis ver. Quem era? Algum lunático que mais à frente lhe faltou o coração para uma etapa com tanta inclinação e deu-se consigo a desistir.
- Não posso mais
Experimenta fechar os olhos. Cria o teu mundo neste universo (são tantos) e quando subires a colina e chegares ao cume, verificarás que uma montanha bem mais alta se ergueu ao teu lado, à espera daquele que alvo de calúnias e perversidades toda a vida, consiga alcançar o seu cume.
- Duvido que assim seja
Mas assim é, assim foi e assim será.
Fechem lá os olhos, não parece que um pintor ocupou instantaneamente a nossa mente e desenhou, com as cores mais estapafúrdias, num fundo preto, o que o seu pincel permitiu?
- Duvido que assim seja
Não duvides por favor, crê antes de mais que o precário fim dos dias chegará quando tu decidires e não decidas já, isso seria cometer suicídio.
- Não posso mais
Um dia destes hei-de fechar os olhos durante o resto da minha vida, hei-de andar a tropeçar no meu próprio pé, convencido de que não é meu, é de alguém, alguém que passou e eu não quis ver. Quem era? Algum lunático que mais à frente lhe faltou o coração para uma etapa com tanta inclinação e deu-se consigo a desistir.
- Não posso mais
Experimenta fechar os olhos. Cria o teu mundo neste universo (são tantos) e quando subires a colina e chegares ao cume, verificarás que uma montanha bem mais alta se ergueu ao teu lado, à espera daquele que alvo de calúnias e perversidades toda a vida, consiga alcançar o seu cume.
- Duvido que assim seja
Mas assim é, assim foi e assim será.
Fechem lá os olhos, não parece que um pintor ocupou instantaneamente a nossa mente e desenhou, com as cores mais estapafúrdias, num fundo preto, o que o seu pincel permitiu?
- Duvido que assim seja
Não duvides por favor, crê antes de mais que o precário fim dos dias chegará quando tu decidires e não decidas já, isso seria cometer suicídio.
- Não posso mais
sexta-feira, 23 de maio de 2008
segunda-feira, 19 de maio de 2008
Bucólica manhã
Bucólica manhã apaixonada
Resplandecente tristeza movimentada
Tempestade recuando atrasada.
Nuvens escuras e carregadas desaparecem,
Ao som da tua flauta emocionada!
Que momentos! Que paixão!
Ousas deter-me por aversão?
Ou quererás amar-me por compreensão?
Dúvidas que se dissipam rapidamente,
Ao som da tua flauta, pois então.
Ardor que caminhava subitamente,
Que crescia apressadamente,
Deixando-me todo dormente.
Abraços e beijos inalcançáveis,
Ao som da tua flauta, urgentemente!
Perplexo, sem chão por onde caminhar,
Nem um único passo conseguia dar!
Só precisava de acreditar,
Que estavas ao meu lado,
Ao som da tua flauta a suspirar!
Tudo ganhou sentido,
Sem grande alarido,
Voltei a aceitar o teu pedido!
Ultrapassei a minha depressão,
Ao som da tua flauta, endoidecido!
Resplandecente tristeza movimentada
Tempestade recuando atrasada.
Nuvens escuras e carregadas desaparecem,
Ao som da tua flauta emocionada!
Que momentos! Que paixão!
Ousas deter-me por aversão?
Ou quererás amar-me por compreensão?
Dúvidas que se dissipam rapidamente,
Ao som da tua flauta, pois então.
Ardor que caminhava subitamente,
Que crescia apressadamente,
Deixando-me todo dormente.
Abraços e beijos inalcançáveis,
Ao som da tua flauta, urgentemente!
Perplexo, sem chão por onde caminhar,
Nem um único passo conseguia dar!
Só precisava de acreditar,
Que estavas ao meu lado,
Ao som da tua flauta a suspirar!
Tudo ganhou sentido,
Sem grande alarido,
Voltei a aceitar o teu pedido!
Ultrapassei a minha depressão,
Ao som da tua flauta, endoidecido!
quinta-feira, 15 de maio de 2008
Acordarei?
Lá estava eu, o meu ser, o meu espírito dúbio esperando desesperadamente por uma conclusão que determinasse o porquê da minha existência. Lá estava eu no meu canto. Mudo, surdo, exausto, mas com a noção que recuperava rapidamente as minhas forças. Lutava dentro de mim com pontapés que se tornavam murros e murros que se tornavam simples contactos. Estava duro, imóvel, expelia sangue em todos os meus poros, mas não sentia a hemorragia nem conseguia estancá-la. Chorava compulsivamente, libertava paulatinamente tudo o que durante séculos me tinha atormentando. No entanto, pedia um novo corpo (desesperava), caía de joelhos uma vez, duas vezes, outra e outra...
Consegui finalmente fugir, sair daquele corpo agrilhoado a preconceitos e dogmas que me impediam, noite após noite, de viver em liberdade comigo mesmo. Percorri o mundo, mas voltei àquele quarto, tudo era tão simples, puro e bucólico. Seria mesmo preciso perder-me em horizontes inalcançáveis?
O corpo ainda continuava estendido, lívido e extenuado. Depois de ponderar, de percorrer o quarto no meio de uma intempérie criada pela falta de nuvens e pelo vento que não soprava, resolvi permanecer. Não poderia desejar a minha morte tão cedo. A missão que o destino me tinha reservado tinha de ser cumprida. Não poderia de forma alguma, chegar ao purgatório desmembrado e mutilado. Não fazia parte da minha condição de ser humano.
Aproximei-me de novo daquele corpo. Corpo sem alma nem espírito, não passa de um cadáver sem uma única memória que possa partilhar. É uma folha de papel que nunca chegou a ser folha, porque nunca foi escrita.
- Acorda
Um pressentimento, um presságio que se torna inútil mas ao mesmo tempo necessário. Acordarei. Que fazem falta aqueles que dormem acordados? Acordarei de um sono profundo sem um único sonho, sem uma única palavra. Vazio completo.
- Acorda
Consegui finalmente fugir, sair daquele corpo agrilhoado a preconceitos e dogmas que me impediam, noite após noite, de viver em liberdade comigo mesmo. Percorri o mundo, mas voltei àquele quarto, tudo era tão simples, puro e bucólico. Seria mesmo preciso perder-me em horizontes inalcançáveis?
O corpo ainda continuava estendido, lívido e extenuado. Depois de ponderar, de percorrer o quarto no meio de uma intempérie criada pela falta de nuvens e pelo vento que não soprava, resolvi permanecer. Não poderia desejar a minha morte tão cedo. A missão que o destino me tinha reservado tinha de ser cumprida. Não poderia de forma alguma, chegar ao purgatório desmembrado e mutilado. Não fazia parte da minha condição de ser humano.
Aproximei-me de novo daquele corpo. Corpo sem alma nem espírito, não passa de um cadáver sem uma única memória que possa partilhar. É uma folha de papel que nunca chegou a ser folha, porque nunca foi escrita.
- Acorda
Um pressentimento, um presságio que se torna inútil mas ao mesmo tempo necessário. Acordarei. Que fazem falta aqueles que dormem acordados? Acordarei de um sono profundo sem um único sonho, sem uma única palavra. Vazio completo.
- Acorda
Agora tornava-se mais alto, mais majestoso. Acordarei quando o Mundo simultaneamente decidir acordar.
domingo, 11 de maio de 2008
Civilização
Uma mescla de indultos, papalvos e indigentes evoluem permanentemente para ocupar o patamar mais elevado da sociedade. Resta a nossa dignidade, a nossa confiança para lidar com o desrespeito ético e moral que é levado com a inconsideração e leviandade pelo comum dos cidadãos. Faltam martelos e estacas, faltam culatras e caçadeiras, faltam lutas e manifestações com o intuito de evitar a catacumba da nossa civilização.
É necessário abordar o Homem numa perspectiva diferente. A unidimensionalidade em que os cidadãos mergulharam chegou a um dos pontos mais críticos. O combate ainda está na mão do ser humano. No entanto, combatemos numa frente que não controlamos, mas que ajudámos a criar: a Natureza. Para além disto, confrontamo-nos com uma crise valorativa que não tem capacidade para detectar o problema. Será assim tão complicado?
Tenho reparado ao longo dos meus “pensamentos civilizacionais” que nós não funcionamos como seres humanos, mas como máquinas inseridas e controladas num impetuoso e magnificente sistema burocrático. Impedindo-nos de agir de acordo com os nossos princípios. Se os nossos princípios colocarem em causa de qualquer forma toda este sistema, somos fortemente castigados. Não nos abordam como gente.
Deixam-nos fatigados através do trabalho. Trabalho esse com o objectivo de enriquecer o Estado e a Civilização. Deixam-nos apavorados pela quantidade de notícias horrendas que passam diariamente nos “mass media”. Ocultam-nos a verdade através de campanhas mentirosas e exclusivamente propagandistas.
Amedrontar as pessoas, criando inimigos inexistentes, é uma boa forma de controlar a população. O medo é inimigo da acção. O objectivo subjacente a estas iniciativas é de criar um espírito de união em torno do Estado. O único capaz de salvar a nação.
Mas então que Estado é que queremos? Um Estado que propagande o sentimento do medo? Um Estado que falte à verdade?
É urgente abrir os olhos para a civilização Técnica Ocidental. É urgente colocar um ponto final neste constante retrocesso. É urgente expandir verdadeiramente a cultura e o saber. É urgente tomar posição, é urgente agir.
É necessário abordar o Homem numa perspectiva diferente. A unidimensionalidade em que os cidadãos mergulharam chegou a um dos pontos mais críticos. O combate ainda está na mão do ser humano. No entanto, combatemos numa frente que não controlamos, mas que ajudámos a criar: a Natureza. Para além disto, confrontamo-nos com uma crise valorativa que não tem capacidade para detectar o problema. Será assim tão complicado?
Tenho reparado ao longo dos meus “pensamentos civilizacionais” que nós não funcionamos como seres humanos, mas como máquinas inseridas e controladas num impetuoso e magnificente sistema burocrático. Impedindo-nos de agir de acordo com os nossos princípios. Se os nossos princípios colocarem em causa de qualquer forma toda este sistema, somos fortemente castigados. Não nos abordam como gente.
Deixam-nos fatigados através do trabalho. Trabalho esse com o objectivo de enriquecer o Estado e a Civilização. Deixam-nos apavorados pela quantidade de notícias horrendas que passam diariamente nos “mass media”. Ocultam-nos a verdade através de campanhas mentirosas e exclusivamente propagandistas.
Amedrontar as pessoas, criando inimigos inexistentes, é uma boa forma de controlar a população. O medo é inimigo da acção. O objectivo subjacente a estas iniciativas é de criar um espírito de união em torno do Estado. O único capaz de salvar a nação.
Mas então que Estado é que queremos? Um Estado que propagande o sentimento do medo? Um Estado que falte à verdade?
É urgente abrir os olhos para a civilização Técnica Ocidental. É urgente colocar um ponto final neste constante retrocesso. É urgente expandir verdadeiramente a cultura e o saber. É urgente tomar posição, é urgente agir.
Se não foste educado desta forma, educa-te.
terça-feira, 15 de abril de 2008
Segredava-lhe
Segredava-lhe ao ouvido bem alto:
- Mãe.
Respondia suavemente, o som desvanecia-se e demorava pelas escadas, pesados degraus, o soalho rangia com a força dos tamancos que se tornaram duros, imbuídos pela passagem gradual do tempo. Não sei bem se respondia. Perdi bastante cedo a minha mãe, deixei de ouvi-la, mas o som continuava suspenso no ar, procurando um ouvido. Os traços dela foram-se perdendo ao longo dos anos, apenas ficava uma imagem turva, lívida, sem importância alguma que ressoava nos cantos enfraquecidos da minha mente. Enfraquecidos porque necessitamos que as palavras encontrem os nossos ouvidos. Enfraquecidos porque já não estamos no andar de cima, não temos força para subir os degraus que se tornaram infinitos.
- Mãe.
Qual mãe qual quê. Já nem sei o que é ter uma mãe. Já não sei para que serve nem o que diz, nem as suas palavras quando jantávamos os dois sozinhos. Já nem sei se conversávamos futilmente, pendurados no silêncio das palavras, ou então silêncio profundo, nem palavras fúteis, nem nada. O nada existe? O nada não será a ausência de palavras, de sons, de objectos? Sozinhos, connosco no nosso canto divagando inutilmente através dos recantos mágicos da nossa memória. Grande parte da nossa memória é feita de imaginação, ligamos factos e acontecimentos que por si só não significam coisa alguma. E então criamos imagens irreais, surrealistas, dicotomias que deixam de ser contrastes e se relacionam alcançando a perfeição momentânea, esmorecendo-se logo de seguida num reboliço de nevoeiro que progressivamente nos invade.
Agora gritava:
- Pai.
Porque não o tenho, porque precisava dele. É algo que está entre nós e a morte. Passamos a ser nós na ponta da mesa. Velhinho grisalho, uma interrupção súbita da vida deixou-me isolado. Decididamente que a morte é uma puta.
- Mãe.
Respondia suavemente, o som desvanecia-se e demorava pelas escadas, pesados degraus, o soalho rangia com a força dos tamancos que se tornaram duros, imbuídos pela passagem gradual do tempo. Não sei bem se respondia. Perdi bastante cedo a minha mãe, deixei de ouvi-la, mas o som continuava suspenso no ar, procurando um ouvido. Os traços dela foram-se perdendo ao longo dos anos, apenas ficava uma imagem turva, lívida, sem importância alguma que ressoava nos cantos enfraquecidos da minha mente. Enfraquecidos porque necessitamos que as palavras encontrem os nossos ouvidos. Enfraquecidos porque já não estamos no andar de cima, não temos força para subir os degraus que se tornaram infinitos.
- Mãe.
Qual mãe qual quê. Já nem sei o que é ter uma mãe. Já não sei para que serve nem o que diz, nem as suas palavras quando jantávamos os dois sozinhos. Já nem sei se conversávamos futilmente, pendurados no silêncio das palavras, ou então silêncio profundo, nem palavras fúteis, nem nada. O nada existe? O nada não será a ausência de palavras, de sons, de objectos? Sozinhos, connosco no nosso canto divagando inutilmente através dos recantos mágicos da nossa memória. Grande parte da nossa memória é feita de imaginação, ligamos factos e acontecimentos que por si só não significam coisa alguma. E então criamos imagens irreais, surrealistas, dicotomias que deixam de ser contrastes e se relacionam alcançando a perfeição momentânea, esmorecendo-se logo de seguida num reboliço de nevoeiro que progressivamente nos invade.
Agora gritava:
- Pai.
Porque não o tenho, porque precisava dele. É algo que está entre nós e a morte. Passamos a ser nós na ponta da mesa. Velhinho grisalho, uma interrupção súbita da vida deixou-me isolado. Decididamente que a morte é uma puta.
segunda-feira, 7 de abril de 2008
Mil e uma folhas.
Mil e uma folhas rasgadas em cima da escrivaninha. Mil e uma, nem mais uma, nem menos uma. Mil e uma mesmo. Lá estavam quietas a ouvir os cães ladrar (porque ladram de noite quando tudo não passa de vento?) Os cães também não percebem o vento. Os cães não percebem nada. São como nós. Não percebem, mas ladram, porque têm de mostrar que até sabem. São como nós. As mil e uma folhas estavam empilhadas de tal forma que mesmo que tudo não passasse de vento, os cães continuavam a ladrar. Continuariam certamente. O que não faltam são cães a ladrar. E então as folhas estavam mal rasgadas. Agarrei um monte, não se quantas ao certo, talvez mil e uma? Não. Mil e uma não, porque ainda restavam três montes iguais ao que tirei. Tentava descortinar que palavras estariam escritas. Não percebia nada. Estavam mal rasgadas, mas estavam rasgadas o suficiente. Ao menos as palavras não são como o ladrar dos cães. Ou serão?
-Lavas-te mal os dentes.
Que importa os dentes, quando a noite cerrada transportava para o cimo da montanha a minha força?
-Lavas-te mal os dentes.
Faltava qualquer coisa que não encontrava em parte alguma, mas ouvia um sussurro inócuo. Então juntei o monte de folhas mal rasgadas, abri a janela e deixei que o vento, a única coisa que restava nessa noite, as levassem para perto dos cães que ladravam.
-Lavas-te mal os dentes.
A ideia continuava na minha pobre mente. Espíritos escondidos no imaginário contemporâneo de uma pessoa. Mas o quê? O vento parou, bolas. O monte continuava no parapeito da janela. Os cães deixaram de ladrar. Se calhar ladravam para o vento.
Assim como que do nada, um lírio branco soltou-se da paisagem, pairou lentamente puxado pelo vento que voltava a soprar, desta vez incessante. Queria ficar e não conseguia. Perdi a cabeça. Sim, perdi-a. Perdemos por muitas vezes a cabeça, custa, é pesada demais, às vezes descai, entorna-se, rebola quieta, permanece móvel. Depois recuperamos, a cabeça volta ao seu lugar, mas o lugar já não é o mesmo. O lírio branco também já não sabe onde está. Pertencia somente à paisagem, agora é como que um almocreve, nómada, numa casa que nunca lhe pertencia. Ou certamente dentro daquele armário cheio de coisas vazias. Naquela porta que teimava em estar fechada quando servia para estar aberta. Desdenhava, colocava por entre as pernas, com medo, pois eu sinto medo. A porta batia com tanta força. Recuperava o fôlego (qual fôlego?) Mas caminhava, umas vezes na direcção certa, outras vezes na direcção acertada. Sou eu que escolho o certo, o justo, o adequado. O resto não passa de lírios brancos arrastados pelo vento infernal, guiado pelo criador.
- Estou bem demais aqui! – Gritou ela, gritava porque a voz dela era baixa demais quando falava normalmente. Cruel, não sejas cruel, por favor. Não te vás embora. Alguma injustiça que cometi sem perceber? O curioso é que percebo sempre quando perpetro uma injustiça. Mas serão sempre injustiças e por contraste justiças? Parece tudo preto e branco, tem sempre de haver um ping e um pong.
- Vou-me embora.
Não vais, porque sabes que o caminho que estás a tomar, é o mesmo que o meu. És tão forte como dizes? Oculta lá essa tua faceta e dorme ao som do vento que parou, dos cães que cessaram de ladrar e dos lírios brancos que regressaram à paisagem.
-Lavas-te mal os dentes.
Que importa os dentes, quando a noite cerrada transportava para o cimo da montanha a minha força?
-Lavas-te mal os dentes.
Faltava qualquer coisa que não encontrava em parte alguma, mas ouvia um sussurro inócuo. Então juntei o monte de folhas mal rasgadas, abri a janela e deixei que o vento, a única coisa que restava nessa noite, as levassem para perto dos cães que ladravam.
-Lavas-te mal os dentes.
A ideia continuava na minha pobre mente. Espíritos escondidos no imaginário contemporâneo de uma pessoa. Mas o quê? O vento parou, bolas. O monte continuava no parapeito da janela. Os cães deixaram de ladrar. Se calhar ladravam para o vento.
Assim como que do nada, um lírio branco soltou-se da paisagem, pairou lentamente puxado pelo vento que voltava a soprar, desta vez incessante. Queria ficar e não conseguia. Perdi a cabeça. Sim, perdi-a. Perdemos por muitas vezes a cabeça, custa, é pesada demais, às vezes descai, entorna-se, rebola quieta, permanece móvel. Depois recuperamos, a cabeça volta ao seu lugar, mas o lugar já não é o mesmo. O lírio branco também já não sabe onde está. Pertencia somente à paisagem, agora é como que um almocreve, nómada, numa casa que nunca lhe pertencia. Ou certamente dentro daquele armário cheio de coisas vazias. Naquela porta que teimava em estar fechada quando servia para estar aberta. Desdenhava, colocava por entre as pernas, com medo, pois eu sinto medo. A porta batia com tanta força. Recuperava o fôlego (qual fôlego?) Mas caminhava, umas vezes na direcção certa, outras vezes na direcção acertada. Sou eu que escolho o certo, o justo, o adequado. O resto não passa de lírios brancos arrastados pelo vento infernal, guiado pelo criador.
- Estou bem demais aqui! – Gritou ela, gritava porque a voz dela era baixa demais quando falava normalmente. Cruel, não sejas cruel, por favor. Não te vás embora. Alguma injustiça que cometi sem perceber? O curioso é que percebo sempre quando perpetro uma injustiça. Mas serão sempre injustiças e por contraste justiças? Parece tudo preto e branco, tem sempre de haver um ping e um pong.
- Vou-me embora.
Não vais, porque sabes que o caminho que estás a tomar, é o mesmo que o meu. És tão forte como dizes? Oculta lá essa tua faceta e dorme ao som do vento que parou, dos cães que cessaram de ladrar e dos lírios brancos que regressaram à paisagem.
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Um verdadeiro espectro.
Um verdadeiro espectro, apenas um buraco negro envolto em densas trevas incandescentes e moribundas. Caminhava melancolicamente sugado constantemente pela força espontânea do olhar de quem não me queria ver. Perseguia o infinito e o impossível. Renascia das cinzas a qualquer momento, ocultava como queria quem queria, permanecia imóvel quando a mente descia e agarrava com todas as forças a decadência divina.
Um sonho esquecido que durou tempo demais e que acabou por se refugiar no inconsciente. Mas que coincidências são estas? Que força oculta domina desesperadamente a inteligência de um simples ser?
Então por fim, quando o meu esforço começou a ser insuficiente, refugiei-me em ti. Lá estava o teu corpo estendido, adormecido, perto das ondas que se limitam a trazer do fundo o pecaminoso. Caminhei em tua direcção, alheado de qualquer pensamento senão no poder que emanava do teu simples olhar.
Depois a beleza renasceu, a ternura, o carinho vingou por entre todos os espectros malignos. Quando se parte para nunca mais voltar, parte-se com a consciência de que os espectros foram vencidos. Parte-se com a esperança que nenhum deles possa dominar os restantes seres. Parte-se com a ideia de dever cumprido. Não importa o dever, não importa a forma como cumprimos. O que importa é que cumprimos. A legião que controlou em certos momentos o nosso destino, fraquejou.
-Qual o destino? Qual é o sinal de que tanto procuramos? – Questionei-a. Sabia que tinha a resposta para tudo.
-Não sei – Afirmou, sombria, longe de mim, longe da multidão por quem me tomava.
Um sonho esquecido que durou tempo demais e que acabou por se refugiar no inconsciente. Mas que coincidências são estas? Que força oculta domina desesperadamente a inteligência de um simples ser?
Então por fim, quando o meu esforço começou a ser insuficiente, refugiei-me em ti. Lá estava o teu corpo estendido, adormecido, perto das ondas que se limitam a trazer do fundo o pecaminoso. Caminhei em tua direcção, alheado de qualquer pensamento senão no poder que emanava do teu simples olhar.
Depois a beleza renasceu, a ternura, o carinho vingou por entre todos os espectros malignos. Quando se parte para nunca mais voltar, parte-se com a consciência de que os espectros foram vencidos. Parte-se com a esperança que nenhum deles possa dominar os restantes seres. Parte-se com a ideia de dever cumprido. Não importa o dever, não importa a forma como cumprimos. O que importa é que cumprimos. A legião que controlou em certos momentos o nosso destino, fraquejou.
-Qual o destino? Qual é o sinal de que tanto procuramos? – Questionei-a. Sabia que tinha a resposta para tudo.
-Não sei – Afirmou, sombria, longe de mim, longe da multidão por quem me tomava.
Somos uma verdadeira criança num labirinto sem fim.
terça-feira, 1 de abril de 2008
The Kite Runner
Como sempre acompanho as minhas mensagens com um video retirado do youtube. Desta vez calhou um trailer de um filme que vi precisamente ontem. Está absolutamente fabuloso. Daqueles obrigatórios. O papel do Hassan está divinal e ao mesmo tempo perturbador mas que nos toca lá no fundo. Fiquei com vontade de ir ler o livro, mas agora ando atarefado com Graham Green, a seguir "As Horas" de Michael Cunningham e depois António Lobo Antunes. Lá para o verão, leio e vejo de novo o filme.
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